quinta-feira, 19 de junho de 2025

Até quando...

Até quando voce me evita?
Até quando ficamos longe?
Até quando nós aproximamos?
Até quando vamos morar juntos?
Até quando queremos o mesmo?
Até quando nós suportamos?
Até quando somos algo um para onoutro?
Até quando nos impactados?
Até quando queremos juntos?
Até quando nos importamos?
Até quando queremos distância?
Até quando lembramos?
E se hoje nem sabermos o que fomos?

domingo, 15 de junho de 2025

Amor que aduba a Dor!

Não me concentro! A mente, escura caverna!
Rangendo espasmos d’almas mutiladas,
É foco de ideias já necrosadas,
É sarcófago onde o tédio governa!

O falo, outrora totem de desejo!
Hoje é bastão inútil, lasso, inerte,
Que não se alça sequer para a Morte,
Nem ao hálito febril do doce beijo!

A fome exila-se! O álcool, fantasma.
Deixa na boca a sombra de saudade...
E até o coito, com sua potestade,
Me soa agora à mais torpe das chagas!

No sofá, trono de um rei em ruína!
Sento com as vértebras da existência
A ranger, e a própria consciência.
Me repele a presença vespertina!

Repudio os humanos! Essa espécie.
Com seus sorrisos falsos, suas crenças...
O passado, álbum de pestilências! 
O presente,  um cadáver que apodrece!

Mas não renuncio à presença funérea
Da ausência, que se faz víbora e dor!
Sofro as horas, os dias, o horror.
Dos anos lentos, lânguida bactéria!

Penso o fim com a mesma morbidez.
Com que se pensa a cova em dias turvos...
E nesse horror de ângulos recurvos,
O pavor se mistura à embriaguez!

Vejo, mas não vejo! O mundo zomba.
Com imagens vis de carne e de pecado!
Ouço fundo outro eco estagnado.
Da minha alma, trancada em sua tumba!

Sinto o peso de um cérebro já morto.
Onde pulsa, entre vermes, meu pesar!
E a vida, esta gangrena, secular.
,Já não quero, neste mundo absorto!

Frustro os homens, sou farsa, sou ruína,
Sou espectro que caminha entre o horror!
Sou carcaça da esperança e do amor,
Sou naufrágio que a mágoa destina!

Afastem-se de mim! Sou moléstia!
Amo só com o fel de um pus carnívoro!
Sou torpor de um anjo apodrecido.
Que renega, mas que nojo! essa Celeste!

E desse mar de pútridas essências.
Onde a alma range em seu turvo clamor,
Renego o amor! Essa flor pestilenta.
Que só cresce e aduba toda a dor!


(Inspirado em Augusto dos Anjos)

Desistindo de tudo e de mim

Não consigo me concentrar.
O pau não endurece pra nada.
Nem tenho vontade de comer.
A bebida deixa saudade.
Eu não quero nem fuder.
Sento um tempo no sofá.
Não quero ninguém ver.
Com gente não quero estar.
O passado é só lembrança.
O presente é um não viver.
Não desisto da presença.
E a ausência só traz dor.
Sofro horas, dias, meses...
Já são anos de torpor.
Penso o fim tal como antes.
Com pitadas de pavor.
Vejo sem prestar atenção. 
Ouço tudo sem pensar.
Sinto o eco na cabeça.
E nao perco meu pesar.
Já nao quero essa vida.
De pessoas eu frustrar.
Sou cansado e faço pouco.
Meu humor é de assustar.
Fiquem longe enquanto é tempo.
Pois só magoa posso dar.
Desses todos sentimentos.
Eu não quero mais Amar!

sábado, 14 de junho de 2025

é... pra mim já deu!

Cansei de esperar.
Não fiz por merecer.
É hora de sossegar.
Pode me esquecer.
Andando de bar em bar.
Só pra me entorpecer.
Como abelha cansada de voar.
Sem flor pra enriquecer.

Paro e deixo meu Amor.
Pro meu Envelhecer.
Sei que nem tudo é dor.
Mas dói em nao te ter.
E se não serve meu mau humor.
Nao servirá o meu bem querer.
Pois nem tudo é cor.
Sei que assim vou te perder.

Tentei por várias vias.
Caminhos traçados num livro branco.
Mas sem pausas e sem vírgulas.
Tudo um dia vai acabando.
Não adianta um voo de galinha.
Que de tão baixo não trás acalento.
Nem mesmo no fim do dia.
Meu destino deixa de ser um canto.

Amanhece a noite fria.
Ja se ter o meu espanto.
A vontade que se esvaia.
O perder de todo encanto.
Acabou nossa eterna correria.
Discussão e passada de pano
Nao tem culpa, nem valentia.
Não és bruna, nem sou santo.

Ainda sinto o seu suor.
O seu cheiro em mim (porquê?)
As curvas que sempre me lembrou.
Um porquinho de lazer.
Só me resta seu doce sabor.
E a saudade vai me dizer.
Se o que fiz foi por Amor.
Ou foi só por bel prazer.

E se todo esse pezar.
Ou se um dia aparecer.
Outro aí no meu lugar.
Que te faça amolecer.
Aproveite o sol e o luar.
Novos pontos a florescer.
Eu me tranco em meu Amar.
Pois nem quero mais viver...

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Esse aí... eu julgo!

Esse corno.
Esse bosta.
Esse merda.
Com quem vivo.

Um atraso.
Um estúpido.
Um idiota.
Outro omisso.

Sai da frente.
Sai da moita.
Sai do armário. 
Dá sumiço. 

Faz de conta.
Faz sem pressa.
Faz mais hora.
Cai no vício.

Nem demora.
Nem precisa.
Nem enrola.
Vai no aviso!

Sabe a hora.
Sabe como.
Sabe quem.
Não preciso.

Da meia volta. 
Da sinistro.
Da desculpas.
Sem sentidos.

É um nada.
Um ninguém.
Um sem causa.
Invalído!

Cor, por, ativo...

O frio congelou a retina da fibra optica
A empresa sem internet fica caótica.
Tanta tecnologia e mal consegue cobrar.
São muitos dados e pouca nota a contar.

Aqui tem muita gente limitada.
Se achando esperta e atualizada.
Trocando a boa pesquisa por IA.
Só que não aprendeu a perguntar.

Ri de tudo parece uma hiena.
Faz pose de jogador pra ficar na cena.
Mas sofre calada com sua limitação.
Na hora do aperto foge da ação.

Fala mais e sempre bem alto.
Não sabe ouvir, não desce do salto.
Protege com a vida quem pouco merece.
Mas no primeiro deslize, esquece!

São todos iguais com a mais pura ilusão.
De encantar pessoas e mostrar compaixão.
Mas perde o prumo quando desmascarada.
Pois só tem um querer, ser Amada!

Romance em doze linhas (Ana Beber)

(Hoje lembrei desse daqui)...

quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu.

Ana Beber

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Omitir é diferente de mentir

Omitir não é mentir.
Mas as vezes machuca até mais.
Porque te faz lembrar e sentir.
Que o ser humano trai

Não falo só de provérbios.
Do alicerce que se desfaz.
Nem julgo o adultério.
De quem se prendeu demais.

A flecha lançada.
A água que passa no rio.
A bondade que desgasta.
O vaso que caiu.
A palavra falada.
Um mundo vil.

A vontade que some.
Perder seu nome.
A ponte que partiu. 
A luz do ontem.
O escuro hoje.
O amanhã que ninguém viu.

É o fim de um tempo.
Onde a curva forma o vento.
Tudo a sangue frio.
O caso pensado.
O fim do bailado.
O Amor que ruiu...

Puta que me pariu!

quarta-feira, 11 de junho de 2025

desistindo

Eu queria acabar com tudo. 
Cada vez mais, menos. 
Queria deixar o mundo mudo 
Esquecer dos terrenos.

Queria pausar a vida. 
Talvez até parar. 
Mas medo a força da palavra proferida. 
Me ponho a calar. 

A vida fere.
E mesmo que eu não errei.
A ferida irá sangrar.

A morte pede.
E eu dou muita sopa.
Pra esse azar!

Não sou, mas sinto... (O mito de Omito)

Não sou o Sísifo.
Mas sinto que só sifodo. 
Ou só minha foto.
Ou sou sumido.

Não sou Platão
Mas sinto que sou sombra.
Que tudo que me sobra.
Fica sempre a se esconder.

Não sou Narciso.
Mas sinto que me hipnotiso.
Frente ao espelho.
E me perco primeiro.

Não sou Medusa.
Mas sinto que fui violado.
Por uma Deusa achincalhado.
E porto por um Perseu tarado.

Nao sou Ícaro. 
Mas sinto que me queima a pele.
Que me cai a asa.
Que pego fogo como turbina da nasa.

Não sou Teseu.
Mas sinto que me taro.
Perdido num labirinto sem saída.
Em busca de mim,  um otário.

Não sou Prometeu.
Mas sinto que roubei seu fogo.
Perséfone, Deusa calipígia,
Levada ao submundo numa noite fria.

Não sou Orfeu.
Mas te busquei bem longe.
Fiz um trato obscuro.
Pra que vivas do meu lado.
Pra que vivas do meu mundo.
E eu cubro seus pecados.

Sou só eu.
Mais um no meio de bilhões.
Um ninguém sem importância. 
Sem apego ou esperança. 
Envolto em multidões. 
Esperando o que é meu!