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domingo, 15 de junho de 2025

Amor que aduba a Dor!

Não me concentro! A mente, escura caverna!
Rangendo espasmos d’almas mutiladas,
É foco de ideias já necrosadas,
É sarcófago onde o tédio governa!

O falo, outrora totem de desejo!
Hoje é bastão inútil, lasso, inerte,
Que não se alça sequer para a Morte,
Nem ao hálito febril do doce beijo!

A fome exila-se! O álcool, fantasma.
Deixa na boca a sombra de saudade...
E até o coito, com sua potestade,
Me soa agora à mais torpe das chagas!

No sofá, trono de um rei em ruína!
Sento com as vértebras da existência
A ranger, e a própria consciência.
Me repele a presença vespertina!

Repudio os humanos! Essa espécie.
Com seus sorrisos falsos, suas crenças...
O passado, álbum de pestilências! 
O presente,  um cadáver que apodrece!

Mas não renuncio à presença funérea
Da ausência, que se faz víbora e dor!
Sofro as horas, os dias, o horror.
Dos anos lentos, lânguida bactéria!

Penso o fim com a mesma morbidez.
Com que se pensa a cova em dias turvos...
E nesse horror de ângulos recurvos,
O pavor se mistura à embriaguez!

Vejo, mas não vejo! O mundo zomba.
Com imagens vis de carne e de pecado!
Ouço fundo outro eco estagnado.
Da minha alma, trancada em sua tumba!

Sinto o peso de um cérebro já morto.
Onde pulsa, entre vermes, meu pesar!
E a vida, esta gangrena, secular.
,Já não quero, neste mundo absorto!

Frustro os homens, sou farsa, sou ruína,
Sou espectro que caminha entre o horror!
Sou carcaça da esperança e do amor,
Sou naufrágio que a mágoa destina!

Afastem-se de mim! Sou moléstia!
Amo só com o fel de um pus carnívoro!
Sou torpor de um anjo apodrecido.
Que renega, mas que nojo! essa Celeste!

E desse mar de pútridas essências.
Onde a alma range em seu turvo clamor,
Renego o amor! Essa flor pestilenta.
Que só cresce e aduba toda a dor!


(Inspirado em Augusto dos Anjos)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Metodologia de uma mente doente.

Não sei quem estou me tornando.
Nem o que tenho e quero fazer.
Nao sei onde vivo, de onde venho.
E tambem quando aparecer.
Nao sei o porque do mal tempo.
Ou como poderei sobreviver.
Não sei quanto custa o anseio.
Que resulta em não satisfazer.

Essa dura abordagem me engana.
Um estoico que a tristeza não vê.
Indiferente a alegria mundana.
Que não sente, nem dor, nem prazer!

Nessa insana dependência moral.
Que apela sempre ao racional.
Que busca viver em harmonia.
Com coragem e sabedoria.

Quem disse que é só por desejo?
O que vejo e não sei descrever.
Onde fica guardado em seu peito?
Quando posso dividir com você?
O porquê escondido da sorte?
Como se tudo fosse passar.
Quanto paga o preço na morte?
Resultado se perde em Amar.


domingo, 27 de março de 2011

E o pesadelo nem sempre acaba quando se acorda.

De tanto respirar ar, o peixe morre.
De tanto ser feliz perdemos o prumo.
Deixamos para traz caminhos e rumos.
E então reclamamos da falta de sorte.

O que mais aprendemos com nossos erros.
É que não somos perfeitos, falhamos.
Independe do estado que nos encontramos.
Independe das pessoas com quem vivemos.

Deixamos de querer acertar o mundo.
E nele apenas continuar sobrevivendo.
Mas chegamos nesse poço bem fundo.
E ainda estamos cavando e descendo.

A rotina que enforca e nos deixa mudo.
E quando olhamos estamos correndo.
Sem um objetivo, um norte, um tudo.
Que vira um nada, fim de um pesadelo.

Todos temos nossos dias de fúria.
Todos temos nossos dias de agonia.

(Eu Mesmo hoje e agora)

Por mais que tentemos não desabar ou desistir, as vezes a água fria da realidade nos cobre o corpo e acordamos com um pessímismo sem fim.