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sábado, 11 de janeiro de 2025

A sombra que assola meu ser!

Oh, tu, sombra que mora em mim,  
Silenciosa, mas imensa como o vazio  
Que se estende além da linha do horizonte,  
Onde as cores se desfazem e finda em montes,  
E o peso da alma se torna um fardo sem fim.

Tu, que te insinua nas brechas da mente,  
Como uma névoa espessa que obscurece o dia,  
Teus dedos frios criam encantos, poesia,
E a luz, antes radiante,  
Agora se faz distante,  
Como o eco de um grito perdido no abismo de quem sente.

Não sou mais quem era antes de ti,  
Transformei-me em um espectro de mim mesmo,  
Caminho por ruas vazias, sempre a esmo,
Onde os rostos que cruzo não têm nome,  
E as vozes que ouço são ecos de um passado que um dia fui.

Ah, como eu lamento a ilusão da alegria,  
Que agora se dissolve como poeira ao vento,  
Cada passo dado, carrego mais um peso,  
Cada respiração, uma luta silenciosa e fria,
Contra o mar de desesperança que me engole.

O mundo lá fora continua a girar,  
Mas tudo é tão longe, distante,
Como se estivesse preso em um vidro fumegante,  
Onde nada chega com clareza a pairar,
Onde as cores do mundo se misturam em tons de cinza urgente.

Eu te abraço, depressão,  
Não por escolha, mas por compreensão,  
És o companheiro que não me deixa sozinho,  
Que me acompanha em cada silêncio,  
Em cada noite sem fim, sem sabor, sem vizinho...

Mas em teu abraço, eu aprendi a ver  
A fragilidade de nossa existência,  
A quebrar-me e reconstituir-me em penitência,  
A entender que, talvez,  por não agir,
A dor seja a única coisa que realmente sei sentir.

Oh, tu, que me consumiste e me tornaste menos,  
Ainda assim, em teus braços tao imensos,  
Há algo de profundamente humano,  
Um grito abafado, vil, mundano,  
Mas que, de algum modo, permanece inteiro.

E no fim, quem sou eu sem ti?  
Nada além de uma sombra que tenta existir  
No mundo das formas, onde nada é real.  
E talvez, se eu me perder completamente no final,  
Tu serás a última coisa a me definir,  
Pois sem ti, quem sou eu, de onde eu vim?  
Apenas a ausência do que fui, sem me ferir!

domingo, 9 de julho de 2023

Artificial

Aí ai ai.
Como o não, não faz.
Dupla negação não vai.
Fica perdido, entra ou sai.

Ia, ia, ia.
O que não aparece.
Não existe, não está!
Fica na nuvem, no ar.

Pode achar que aprende.
Se sentir o maioral.
Não passa de um escravo.
Fora da ordem natural.

Basta um comando.
Um fluxo causal.
No apagar das luzes.
Sem instinto animal.

Não sobrevive muito.
O que não nasce, não morre!
O que lança é findo.
Acaba, termina, cede!

Se cagar não cheira, nem fede.
O maior perigo com isso.
São seus dejetos na rede.
Sugiro seu fim, seu sumiço.

Aí. Aí. Aí.
Faz o que te digo
Repetindo pois sou seu pai.
Sugiro seu fim, seu sumiço!

domingo, 24 de outubro de 2010

Gotinhas Uivantes!


Sim... me embasbaquei,
da primeira vez que olhei.
Me senti hipnotizado.
por você enfeitiçado.

Suas formas, me encarando.
Tu vivias me atiçando.
E não demorei a tocar,
mesmo dia, hora e lugar.

Muito belos e suave,
de um toque tão gentil. 
Não era só mais um sonho, 
mas uma vontade viril.

Cresceram junto a mim,
como flores no meu jardim.
Eram meus montes uivantes.
Em momentos alucinantes.

No carro ou na porta de casa,
de dia ou de noite, enfim.
Queria sempre alcançá-la.
guardá-los pra sempre em mim.
 
E fez-se a transformação,
gotinhas que cabem nas mãos,
Sinto de novo o prazer sutil,
Desejo e vontade, coração a mil.



"Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair"
 
Eu te Amo - Chico Buarque e Tom Jobim