A que me deixa mais puta.
É saber que tudo um dia vai embora.
Talvez essa seja a verdade que me apavora.
Da incompetência de perder a atração.
De não sustentar o qué bom.
E de deixar tudo pra última hora.
A vida que passa e nao se vive.
A história que contamos pra se ver livre.
A versão piorada da memória.
Um não ser nada, nem perda, nem vitória.
Um anseio de vestir-se de terceiro.
Pra nao ser segundo, nem primeiro.
Ser esquecido na prática da retórica.
E ainda que tudo chegue ao fim.
O que será ou sentirei de mim.
No passar dos anos, meses dias.
Será que a casa ficará vazia.
Ou entao que o mato cresça no terreno.
Será possivel.me sentir ainda mais pequeno.
Será que eu deixo sobrar agonia.
Onde fico na tarde fria.
O que coloco pra mais um veneno.
Será que sou cavalo atrás de feno.
E assim na baia preso com manias.
São verdades que muito me custa.
Que queima a vela e reza a arruda.
Diante de tudo que ja foi um ente.
Prende a mão nas costas e leva uma blusa.
Me ofende com essa insistente busca.
De saber que Amar demais é um perigo.
E assim, Amando e vivendo comigo.
Vou criando afastamento.
E me afundo em mil lamentos.
Desse sono em tormentos.
De um mundo sofisticado.
A distância que ja falamos.
O caos ja esta dado.
Se despedindo como estranhos.