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sábado, 9 de maio de 2026

O perigoso sorriso

Te observar dormindo é perigoso.
Perigo de me apaixonar de novo.
De me entregar sem esforço.
De perder meus dias e meus sonhos.

E o medo vira crescente.
De ser deixado subitamente.
Ser ignorado, largado premente.
Ficar chupanto o dedo, rangendo o dente.

Leria um novo obtuário recente.
Aqui jaz mais um romântico doente.
Alguém que deixaram ausente.
Um perdido, sofrido e carente.

E assim estaria no fundo do posso.
Na cova recente, em pelo e osso.
Alguém que não que viveu sem dolo.
Uma auto sabotagem de um dito culposo.

Volto a ser subserviente.
Procuro razão, pois perdi o jogo.
Sem regra, firmeza ou presente.
Como prego num chão arenoso.

E se passo no chão lustroso.
Joelhos pra suplicar seu aceite.
Me doo ao prazer de seu gozo.
Me faço amante, perdido ao deleite.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

não há tentar...

"Não há tentar. 
Apenas fazer.
Ou não fazer!"

Foi assim que começou. 
Com uma portada de limites. 
O que temos são escolhas e o acaso pra decidir.
Com o tempo aprendemos que é possível melhorar a escolhas e jogar com o acaso, mas nunca controlar. 
Nem quais escolhas,  nem os momentos aleatórios podem ser controlados. Beneficiamos o ambiente,  favoreceria ou induzindo uma escolha, mas nunca controlamos ou impomos nada. 
Querer controlar isso,  nos frustra,  nos torna impotente e consequentemente fracassamos. Isso porquê estamos condicionais a se dar bem. Não digo nem,  se dar melhor,  mas se dar bem,  ter ganhos nas ações,  mas intenções, mas medidas que propomos. Queremos o ganho rápido,  imediato,  não nos contentamos com a batalha, a luta, o caminho. Apenas a conquista e o mérito são valorizados. Escanteando o aprender, o ensinar, o observar e tantos outros verbos que nos mostram o caminho. Esquecemos de curtir o presente, esperando o futuro e penando o passado.

Se não nos entregamos por inteiro, vivemos a mediocridade. Entregamos algo parcial que nao traz alegria e conforto, apenas um ok ou um legal.
Assim como a não tentativa, a não intensidade deve ser compelida e a entrega ou recepção exaltada.
A entrega deve ser consciente, íntegra, completa... sem vendar os olhos ou esconder-se do barulho, interno e externo. 

Assim mantemos limites, somados ao tempo!