Ao entrar no banheiro.
Um velho desconhecido.
Uma versão barata.
De seu meio eu inteiro.
Alguém que foi esquecido.
Desde o primeiro dia de janeiro.
E sem entender pede desculpas.
Por ser só um passageiro.
Entre passagens e ruas.
Entre ajustes e desmazelos.
Alguém que nao escuta.
As vozes de um dia inteiro.
E quando enfim repousa.
Ouve os gritos do travesseiro.
Num pulo se afasta e gira.
Com ira de quem quer desfazê-lo.
A memoria que nao é mais sua.
O tom apressado.
O afago abafado.
O corpo suado.
E pleno e profundo destempero!
Seria mais um vespeiro.
A cutucar com vara curta.
E sair na frente e primeiro.
A agua que bate e a pedra que muda.
Nem fala, nem escuta.
Perde a pauta, faz a puta!
Ama o próximo ser.
E vive a morrer em desespero.
E quando para no chão cinzento.
Menos paga um bife sangrento.
Um purê de batata cozido lento.
No fim de tarde em setembro.
Parte em dois um sol de horror.
Imita a voz de um grande ator.
Mesmo o lençol que esconde a dor.
Passa a fingir que um dia, Amou!