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domingo, 10 de maio de 2026

porque estou aqui

Nao sei porque eu vivo
Ou se viver tem um motivo
Nao sei porque estou aqui
Se espero algo que esta por vir.
Diante dos meus olhos fechados.
Num sonho pesadelo pesado
Imaginei perder tudo.
Ficar cego surdo e mudo.
Fui forçado a ficar borracha.
E aquilo virou uma taxa.
Pra sair daquele lugar.
Que eu nem sei como fui chegar.
A menina que assim ja não era.
Os pais que faziam a guerra.
O caminho muito tortuoso.
Que me deixou mais penoso.
O mundo caindo em barranco.
E o que me restava era pranto. 
O medo o vazio de uma vida.
Com gente penosa e sofrida.
Nao tinha caminho a tomar.
Só o fim que estava por lá. 
Acordei e tão pouco esquecia.
Que a vida bonita ruia.
E entao pude enfim escrever.
Tudo isso que conto pra você. 
Do que vale ter longevidade
Sem sentido, sem honra e hombridade.
Quanto posso pedir de atenção. 
Se nem tenho a mesma missão 
Se mais vidas vier no futuro
Eu prefiro nascer obtuso 
Como aqueles que nao sofre em pensar.
E só pedem, só juram em rezar.
Pois assim cria algo em tração.
Paz de espírito e calma no coração

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Um Velho Desconhecido...

As vezes voce encontra.
Ao entrar no banheiro.
Um velho desconhecido.
Uma versão barata.
De seu meio eu inteiro.
Alguém que foi esquecido.
Desde o primeiro dia de janeiro.

E sem entender pede desculpas.
Por ser só um passageiro.
Entre passagens e ruas.
Entre ajustes e desmazelos.
Alguém que nao escuta.
As vozes de um dia inteiro.
E quando enfim repousa. 
Ouve os gritos do travesseiro.

Num pulo se afasta e gira.
Com ira de quem quer desfazê-lo.
A memoria que nao é mais sua.
O tom apressado.
O afago abafado.
O corpo suado.
E pleno e profundo destempero!

Seria mais um vespeiro.
A cutucar com vara curta.
E sair na frente e primeiro.
A agua que bate e a pedra que muda.
Nem fala, nem escuta.
Perde a pauta, faz a puta!
Ama o próximo ser.
E vive a morrer em desespero.

E quando para no chão cinzento.
Menos paga um bife sangrento.
Um purê de batata cozido lento.
No fim de tarde em setembro.

Parte em dois um sol de horror.
Imita a voz de um grande ator.
Mesmo o lençol que esconde a dor.
Passa a fingir que um dia, Amou!