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terça-feira, 28 de abril de 2026

Domingo Laboral

Cheguei atrasado no trabalho, entrei correndo, caminhando firme pra minha mesa, quase sem olhar pros lados, de fone e antolhos e quando me sentei, num ufa, abri verdadeiramente os olhos.
Gritei: PQP
Era domingo!
Tudo estava vazio!

Perdi meu dia de Home Office.
Porque em tempos de trabalho híbrido.
Me divido em ter um canto.
Ter uma rede de contato e uma de balanço.

E ouvir reclamações sem dó, sustenido.
A campainha que toca pra levar o canino.
A call que me chama prum nada resolvido.
E ao fundo uma cama, quando tiver desistido.

Não diferente é meu posto de trabalho.
Num salão cheio com um monte de mesário.
Que mais passa os dias a esperar dar o horário.
Do café, do almoço, do papinho arbitrário.
A se ver canarinho pra fugir apressado.
Ser o líder padrão que seduz funcionário.
Ou mentor consultor que só olha o retalho.
Quando muda o papel e se faz de otário.
Pra seguir risca linha, não perder o salário.

A ilusão de que alguém se importa.
A bonita missão, pendurada na porta.
O processo, o expresso, o regresso em demora.
A cortina, a fumaça e a desgraça de outrora.

Quando menos se espera outro assunto urgente.
A visita na casa de um amigo ou de um ente.
Pentear um macaco, sem escova ou pente.
Usurpar sua alcova, te deixando dormente.

É o traço da I A - que se exibe vistoso -.
Outro texto imbecil de um cara raivoso.
Que não sabe pedir, mas implora nervoso.
Não acione TI por mais tokens tinhosos.

O inferno da fila no banho matinal.
O deserto de cadeiras, de setores, social.
A justiça fajuta, a briga, a luta sem uma inicial.
A criança na escola esperando o sinal.

É o não atingido lucro, manipulado.
O lá ir, o cair, outro pós resultado.
A fatura, a loucura, que atura o meu lado.
Outra sorte, outro norte mais deslumbrado.

A pintura aplaudida, dita sensacional.
Nossos fatos alastrados em rede nacional
Apanhado de dados sem referencial.
A campanha, a senha que se assanha, sem ser racional.
Uma dash, uma hash, outro trash, internacional.
Abre aspas, explica, algo proposital.
A carta de fiança em psicografia autoral.
E a virgula fingindo ser ponto decimal.
Nessa estrada tão longa sem um ponto final.