Perigo de me apaixonar de novo.
De me entregar sem esforço.
De perder meus dias e meus sonhos.
E o medo vira crescente.
De ser deixado subitamente.
Ser ignorado, largado premente.
Ficar chupanto o dedo, rangendo o dente.
Leria um novo obtuário recente.
Aqui jaz mais um romântico doente.
Alguém que deixaram ausente.
Um perdido, sofrido e carente.
E assim estaria no fundo do posso.
Na cova recente, em pelo e osso.
Alguém que não que viveu sem dolo.
Uma auto sabotagem de um dito culposo.
Volto a ser subserviente.
Procuro razão, pois perdi o jogo.
Sem regra, firmeza ou presente.
Como prego num chão arenoso.
E se passo no chão lustroso.
Joelhos pra suplicar seu aceite.
Me doo ao prazer de seu gozo.
Me faço amante, perdido ao deleite.