Você era um borrão.
Mas a conversa fez surgir.
Uma luz em.meu coração.
Nada discreta.
Muito aberta.
Concreta, direta.
Sem enrolação.
Dissemos nossos problemas,
Trocamos dilemas.
Até o que não valia a pena.
Nada, nada são.
Mas a verdade foi boa.
Rimos muito e a toa.
E nem uma breve carona.
Foi em vão.
Porém com pouco contato.
Cresceu um calor que sou grato.
Ansiava o próximo ato.
Que seria tudo, se fosse bom.
E foi doce, foi colorido.
Já não seria mais amigo.
Podem dizer que foi corrido.
Na velocidade da paixão.
E cresceu com respeito.
Com carinho, tudo direito.
As vezes saudade no peito.
E sem criar ilusão.
E a vontade só crescia.
Já não bastava só uns dias.
Você vinha ou eu ia.
Num eterno zigue-zague sem fim.
Logo juntos já estava.
Estar metros não bastava.
Viver junto é o que faltava.
Ter você perto de mim.
Foi difícil, foi custoso.
Um caminho tortuoso.
Juntar um bando nervoso.
Mas era o necessário.
Mas aí veio a mudança.
De enredo e a insegurança.
Já não eram dois e crianças.
E ruiu nosso baralho.
Novos desejos, velhas vontades.
Escondidas fundas em vaidades
Questionando nossa rara idade.
Sem nenhum projeto.
Já não sei o que é fato.
Dado os ritos, novos atos.
De um teatro em salto alto.
Velhos erros e pouco certo.
Aumentando as reclamações.
Mais brigas e discussões.
Em profusão de acusações.
Até mesmo quando tem diversão.
Perdeu parceria, paciência sumiu.
Nada de regras, gentileza fugiu.
Um teto com paredes num que ruiu.
Perdeu-se o carinho e a aceitação.
Só resta a esperança de recuperar.
De dias melhores que estão por virar.
Não sendo familia, que seja um lar.
Lugar de respeito e compreensão.
Se mesmo errado.
Melhor já estão bom!