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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Nem tudo que se pensa é o que se vê

Estou cansado de ser.
Frágil e forte.
Estou cansado de ter.
Azar e sorte.
Não sei o que mais pareço.
A plebe ou a corte.
Nem sei se ainda sinto.
O Amor ou a Morte.

Entregue ao desmazelo. 
Atirando a cada parto.
Sem um pingo de exagero.
Controlando o encher do lago.
Sou puro desespero.
De quem parte pro outro lado.
No fim sol de janeiro.
Depois de um céu nublado.

O afago, o feno e o fosso.
Procuro mais um trago.
Do puro fel não posso.
Rancor em cada braço.
Eu paro esse moço.
Do espelho que me faço.
O trem primeiro eu ouço.
No trilho me desfaço.

Não quero mais fazer. 
O doce e o amargo.
Seu cheiro de prazer.
Lembranças de um abraço.
Ja foi meu bem dizer. 
E outrora fui seu caso. 
Meu sonhou e meu querer.
Acabou, foi pelo espaço!