terça-feira, 28 de abril de 2026

Visita na Padaria Viva

Fui visitar a padaria, já na entrada um grupo de pães franceses, estavam cacetinhos, com o pão de torresmo que tinha assado demais. O pão bengala estava saindo do armário e se assumindo, dali pra frente como baguethe.

O brigadeiro, delinquente, furou o olho de sogra com seu granulado e roubou um beijinho, deixando uma torta de limão no ar. O pão doce, falava passivamente, ensinando as eclairs, waffles e cookies como ser mais fofo, mas sem deixar de fofocar que o bem casado se separou do doce de leite, ficou ressentido, virou um sequilho, mas deu pra se engraçar com a geleia de amora.

O pão italiano estava redondo e de tanto ser zuado pelo bigodudo pão português, foi ao norte fez academia e ficou um pão em forma. O pão sovado, cansou de apanhar e saiu pulando com o pão australiano pra passar o maior rei dos queijo, o rei-queijão.

Na sessão de lacticínios todos choravam que nem manteiga e uma margarina esquecida num canto escuro que não mudou nada, mas estava preocupada discutindo com um queijo do reino que chamou um detetive pra descobrir quem matou o presunto, chegando lá queijo brie, disse, "desco-brie", estava aqui com meu amigo que estava investigando por conta propria, o provas-alone e como diria meu idolo, "ele-é-emental, meu caro Watson", foi o gouda que se sentiu duplamente ofendido pelo pão de cebola, achando que tinha chamado ele de obeso feminino. "Ahhh agora só faltava essa", no fundo gritou o queijo bola, "ta parecendo o queijo minas", "Mines" retrucou o queijo fresco, logo o queijo curado retrucou "ainda bem que eu criei casca" e o meia cura só pensou em sua julieta cascão.

Resolvido o caso, voltamos a prateleira onde estacionava em uma vaga reservada uma torta holandesa e um bolo inglês com um paiTEA que procurava torradas. O bolo ingles, confuso com aquele ambiente, já estava convidando o bolo indiano pra um chá ou uma coca. As carolinas, a samantha, e a russa pavlova, levaram uma palavra de força pra maria que estava mole depois da briga com o quindim, que por sua vez estava todo queimado por ter ficado com marcas de coco ralado de uma cocadinha safada.

Me encaminhando para a saída passei pela geladeira de bebidas que tinha alguns achocolatados com leite b e iogurtes a batidos, os refrigerantes estavam com todo gás, acelerados pelos falantes energéticos. Já os sorvetes, pelo contrario, estavam sem papo, todos duros e gelados. Fui embora levando apenas historias.

Domingo Laboral

Cheguei atrasado no trabalho, entrei correndo, caminhando firme pra minha mesa, quase sem olhar pros lados, de fone e antolhos e quando me sentei, num ufa, abri verdadeiramente os olhos.
Gritei: PQP
Era domingo!
Tudo estava vazio!

Perdi meu dia de Home Office.
Porque em tempos de trabalho híbrido.
Me divido em ter um canto.
Ter uma rede de contato e uma de balanço.

E ouvir reclamações sem dó, sustenido.
A campainha que toca pra levar o canino.
A call que me chama prum nada resolvido.
E ao fundo uma cama, quando tiver desistido.

Não diferente é meu posto de trabalho.
Num salão cheio com um monte de mesário.
Que mais passa os dias a esperar dar o horário.
Do café, do almoço, do papinho arbitrário.
A se ver canarinho pra fugir apressado.
Ser o líder padrão que seduz funcionário.
Ou mentor consultor que só olha o retalho.
Quando muda o papel e se faz de otário.
Pra seguir risca linha, não perder o salário.

A ilusão de que alguém se importa.
A bonita missão, pendurada na porta.
O processo, o expresso, o regresso em demora.
A cortina, a fumaça e a desgraça de outrora.

Quando menos se espera outro assunto urgente.
A visita na casa de um amigo ou de um ente.
Pentear um macaco, sem escova ou pente.
Usurpar sua alcova, te deixando dormente.

É o traço da I A - que se exibe vistoso -.
Outro texto imbecil de um cara raivoso.
Que não sabe pedir, mas implora nervoso.
Não acione TI por mais tokens tinhosos.

O inferno da fila no banho matinal.
O deserto de cadeiras, de setores, social.
A justiça fajuta, a briga, a luta sem uma inicial.
A criança na escola esperando o sinal.

É o não atingido lucro, manipulado.
O lá ir, o cair, outro pós resultado.
A fatura, a loucura, que atura o meu lado.
Outra sorte, outro norte mais deslumbrado.

A pintura aplaudida, dita sensacional.
Nossos fatos alastrados em rede nacional
Apanhado de dados sem referencial.
A campanha, a senha que se assanha, sem ser racional.
Uma dash, uma hash, outro trash, internacional.
Abre aspas, explica, algo proposital.
A carta de fiança em psicografia autoral.
E a virgula fingindo ser ponto decimal.
Nessa estrada tão longa sem um ponto final.

Experiências que ligam...

Hoje tive uma experiencia muito especial, quem me conhece sabe que sempre fui muito fã dessa maravilha matinal, que pode ser consumida a qualquer momento, o consagrado pãozinho francês com manteiga. Cortado inovadoramente na diagonal superior da direita pra esquerda, criando dois lindos casulos para colocar a manteiga, sem esmaga-lo na frigideira (que também pode ser na chapa), sem deixar passar muito para não queimar, mas cuidadosamente aguardando o tempo necessario para derreter a deliciosa iguaria de leite e gordura, com pitadas de sal do nosso querido nordeste. Ao me deliciar com esse prato simples mas inovador, comparo com grandes empresas que fazem pequenas mudanças no simples para inovar, renovar seu conceito, cobrar mais pelo mesmo produto ou serviço a partir de uma nova narrativa, mais rebuscada, mais encantadora, que conquista o desejo mais secreto do cliente. Faz daquilo uma experiencia única, que deve ser compartilhada, que precisa ser amplamente comunicada para gerar todo hype necessário pra ganhar o mundo. Não seria possivel fazer essa analise profunda sem a colaboração de Bernardo, o padeiro que faz esse pãozinho trabalhando em uma escala tranquila de trabalho. Tambem não posso deixar de mencionar Gertrudes, a vaquinha da fazenda que gera o leite necessário para o Zé do Leite produzir sua manteiguinha, vale tambem uma menção honrosa a toda cadeia logistica para buscar os itens e trazer em casa, a fornecedora de gás de cozinha e toda a cadeia de prestação de serviço dentro de casa. Enfim, é possivel deixar uma nota 8 de 10 na experiência como um todo, porque faltou a foto comprobatória, o sal foi aplicado com pitadas da ponta dos dedos em vez de um saleiro adequado e o porta guardanapo estava vazio o que me fez tirar outro meio ponto da nota. Fica de reflexão e aprendizado que todos temos como melhorar se alguma forma!

domingo, 26 de abril de 2026

Motivos pro veneno

Quando algo te atormenta. 
Sua trilha sonora é composta por músicas lentas. 
Tudo perde o sentido, 
o grito não é ouvido,
a saudade não ser aguenta. 

Tudo que se consome em exagero. 
Pode ser um veneno que te alimenta. 
A coisa no seu tempo se apequena.
E sem um esmero, 
gera erro 
e não sustenta.

A porta que fecha lenta.
Os olhos não se abrem.
As pessoas da sua vida saem.
O pé nao avança e a perna nem tenta.

Do lugar você ja não sai.
A vontade não existe, se esvai.
A tristeza te consome e já não mais...
Sua vida vira um trapo e jaz!

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Um Velho Desconhecido...

As vezes voce encontra.
Ao entrar no banheiro.
Um velho desconhecido.
Uma versão barata.
De seu meio eu inteiro.
Alguém que foi esquecido.
Desde o primeiro dia de janeiro.

E sem entender pede desculpas.
Por ser só um passageiro.
Entre passagens e ruas.
Entre ajustes e desmazelos.
Alguém que nao escuta.
As vozes de um dia inteiro.
E quando enfim repousa. 
Ouve os gritos do travesseiro.

Num pulo se afasta e gira.
Com ira de quem quer desfazê-lo.
A memoria que nao é mais sua.
O tom apressado.
O afago abafado.
O corpo suado.
E pleno e profundo destempero!

Seria mais um vespeiro.
A cutucar com vara curta.
E sair na frente e primeiro.
A agua que bate e a pedra que muda.
Nem fala, nem escuta.
Perde a pauta, faz a puta!
Ama o próximo ser.
E vive a morrer em desespero.

E quando para no chão cinzento.
Menos paga um bife sangrento.
Um purê de batata cozido lento.
No fim de tarde em setembro.

Parte em dois um sol de horror.
Imita a voz de um grande ator.
Mesmo o lençol que esconde a dor.
Passa a fingir que um dia, Amou!

sábado, 21 de março de 2026

cada um que trate seus anjos e demonios

Quando os demônios me perturbam.
Minha cabeça entao dispara.
Fico a ouvir pequenos sussurros.
Sinto em meus pulsos, amarras.

Nem é que isso me assusta.
Mas cansa o pensamento que não passa.
Me dispo de toda censura.
E aceito no fundo essa graça.

Me dão dicas de sobrevivência. 
Ou dúvidas que colocam sobre a mesa.
Pode ser de felicidade ou tristeza.

Hora é um lindo menino (meu neto?).
Outras vezes minha avó que me abraça.
Pessoas que vejo em mundo disperso.
E outras que não conheci mas é 'parsa'.

Se me pega num dia difícil.
Me faço de esquisito e incrédulo. 
Agora quando estou menos perdido.
Ouço, gravo e tento desvendar os mistérios.

Pode me tirar todo o sono.
Me deixar encucado ou risonho.
O importante é que é mais real que sonho

E mesmo quando aceito. 
Pode me dar um nó no peito.
Ou um breve alívio no leito.

Espero então, por mais uma reflexão. 
Somos feitos de promessas descumprida.
E pactos que nunca se vão.
De roupas coloridas, sabores doces.
E cheiros de chuva no chão!

domingo, 15 de março de 2026

as coisas mudam conforme o silêncio

Escutava muito
Escutava tudo
Me distraia
Com o som do surdo

Me via em um poço
E estava fundo
Um alvoroço 
Um fim difuso

Ja nao me importo
Se tem estudo
Se faz o molho
Se sobe um muro

Me engana sempre
Me deixa puto
Pois olhas os outros
Nao fica junto

Nao peço ajuda
Nem mesmo uso
O meu é diverso
O seu é recurso

De escolha em escolha
Fico confuso
Com minhas dores
Com seus abusos

Eu nem te impeço 
Nem dou futuro
Daqui pra frente
Sou outro (eu juro)

Nao quero mais
Viver no escuro
Abro a janela
E ganho o mundo

quarta-feira, 11 de março de 2026

Eu quero o impossível.

Eu quero o impossível.
Pois sei que posso conseguir.
Quero a ilusão dos filmes.
Na realidade que esta por vir.
Quero voar como nos sonhos.
Em nuvens feitas de algodão.
Quero me teletransportar.
Antes que eu perca meu chão.
Quero mudar o passado.
Reescrever a tinta e não a carvão.
Quero ter livre arbítrio.
Sem pudor ou retaliação.
Quero ver o futuro.
Na ânsia de viver só o presente.
Quero você tempo integral.
Sem dias ausentes.
Quero o convite do Wonka.
E me perder na calda quente.
Quero ter saúde de ferro.
E só por paixão ficar doente.
Quero amadurecer criança.
Com alma adolescente.
Quero ficar velho ao seu lado.
Para me sentir cuidado e contente.
Quero acordar assustado.
E ter seu colo acolhedor.
Quero ficar acordado.
Te escrevendo juras de Amor.
Quero ser atacado.
No meio da noite com torpor.
Quero dirigir minha vida.
E não ser mais um ator.
Quero tudo e agora.
Com respeito e sem dor.
Quero dizer que te Amo.
Só dizer que te Amo!

domingo, 8 de março de 2026

8 de março

Desejo menos homenagens e mais ações.
Menos chocolate, flores e mimos, mais bônus e promoções.
Menos explicações do que ela quer dizer e mais escuta ativa.
Desejo menos gente dizendo "o que temos para o jantar?" e mais "o que você quer comer hoje?".
Pessoas que assumam a logística da casa e não apenas "ajude".
Desejo pais que participem da educação na escola, dos cuidados médicos e atendimentos dos filhos.
Chefes que validem a autoridade sem o filtro do "temperamento" e fortaleça.
Desejo liberdade para tomadas de decisão real.
Desejo responsabilidade afetiva tomando a iniciativa de conversar sobre sentimentos, sem precisar tomar bronca.
Desejo momento de reflexão para que as mulheres do futuro não sofram o mesmo que as mulheres do passado.
E que a reflexão de hoje vire ações amanhã para as mulheres do presente.

domingo, 1 de março de 2026

Fevereiro sem escrita

Não podia avisar antes.

Mas assim que foi o mês.

Dias que parecem liberdade.

Mas na verdade foi o que não fiz!

sábado, 31 de janeiro de 2026

Fui ai

Fui ai e voce não estava. 
Eu te via, te sentia e te tocava.
Mas não tinha presença.
Nem mesmo insistência. 
Só o corpo e mais nada.

Me ouvia, mas não entendia.
Me via e não enxergava.
Sabia que era eu ali.
Mas nem assim ligava.
Porque já era dia e eu te entendiava.

Entre uma pausa e um ponto.
Sai dali e pronto.
Andando pela rua percebi o nada.
Que meu ser representava.
Depois de anos sou outro.

Cansado me entrego ao desalento.
Não sou rápido e atrasado saio do centro.
Se isso é tudo que meu Amor merece.
Me deixe com minha dor.
Fique com todas as suas preces.

Fui ai e agora nem entrei.
Fiquei olhando as luzes e nem toquei.
Me enganei com o caminho.
Porque sempre fez sentido.
Me esconder onde me encontrei. 

Deixa as coisas pra la.
Uma hora vem o esquecimento. 
E quando ela chegar.
Nao viverei mais de lamento.
E assim encontro um novo Amar!

domingo, 11 de janeiro de 2026

DesAmor

Ta difícil me concentrar.
Difícil até de descrever.
Eu não sei como vou estar.
Quando a hora tiver que fazer.
Não quero ter que te consolar.
O errado foi você ceder.
Fez de conta que era outro lugar.
Se escondeu pra ninguém te ver.
Agora vai ter que procurar.
Um novo alguém pra te bem querer.
Uma pessoa pra te aguentar.
Te dar suporte, fazer por você.
Se for embora é pra não voltar.
Não se arrependa desse desprazer.
Algumas coisas são pra ensinar.
Outras apenas para esquecer.
Solto esse fardo de me preocupar.
Te dar um colo ou um bem dizer.
Eu deixo então de outra vez Amar.
Alguém que finge todo seu viver!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

voando no mar do avô

Voei.
E não voltei.
Vou einh!
Sem mais ninguém.
Sem ser seu.
Ou de outrem.
Sem dó.
Sendo só.
Um a um.
Encontrando dois.

Vô, eu?
Sim, quero.
Espero.
Sem pressa.
Nem força.
Ou farsa.
Aconteça.
Com mais prece.

Aparece.
Não esquece.
A cama tece.
E se eu viesse.
Sem esmero.
Ser nulo.
Zero a zero.
Igualdade.
Que descansa.

Senta a anca.
Para a dança.
E que essa
Criança.
Tenha muita.
Graça.
Saúde. 
Força.
E massa.

Que ela pense.
Que venha o choro.
De um pequeno dente.
Que queira colo.
Carinho e cafuné.
Embalo de tarde.
Sozinho no quente.
No calor.
Na tarde.
Na casa de um ente.

Que brinque.
Que bagunça.
Que nao ligue.
Que abra a gaveta.
Que procure o doce.
Que bagunça.
Que seja.
O que eu vi.

Porque eu voei.
Pra te ver.
E ao te encontrar.
Me derreter.
Fico sem chão.
Perco o teto.
Se era o que me.falta.
Agora me sinto completo.
Me sinto perfeito.
E nada mais tira.
Esse Amor do meu peito!

domingo, 21 de dezembro de 2025

verdades que apavoram

Das verdades que mais me assusta.
A que me deixa mais puta.
É saber que tudo um dia vai embora.

Talvez essa seja a verdade que me apavora.
Da incompetência de perder a atração.
De não sustentar o qué bom.
E de deixar tudo pra última hora.

A vida que passa e nao se vive.
A história que contamos pra se ver livre.
A versão piorada da memória. 

Um não ser nada, nem perda, nem vitória. 
Um anseio de vestir-se de terceiro.
Pra nao ser segundo, nem primeiro.
Ser esquecido na prática da retórica.

E ainda que tudo chegue ao fim.
O que será ou sentirei de mim.
No passar dos anos, meses dias.

Será que a casa ficará vazia.
Ou entao que o mato cresça no terreno.
Será possivel.me sentir ainda mais pequeno.
Será que eu deixo sobrar agonia.

Onde fico na tarde fria.
O que coloco pra mais um veneno.
Será que sou cavalo atrás de feno.
E assim na baia preso com manias.

São verdades que muito me custa.
Que queima a vela e reza a arruda.
Diante de tudo que ja foi um ente.

Prende a mão nas costas e leva uma blusa.
Me ofende com essa insistente busca.
De saber que Amar demais é um perigo.

E assim, Amando e vivendo comigo.
Vou criando afastamento.
E me afundo em mil lamentos.
Desse sono em tormentos.

De um mundo sofisticado.
A distância que ja falamos.
O caos ja esta dado.
Se despedindo como estranhos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Aflição Laboral

Ainda que tudo termine,
que a amizade se expire,
quer dizer que nada existia,
que era falsa e fria.
O carinho e a saudade pode ser unilateral,
pode sumir um dia,
pode surgir na noite fria de um dia radical.
Todo acordo que não se sabe,
toda vontade de ser melhor.
Todo fato aproveitado,
o início, o fim e o fardo.
Desejo tudo que há de melhor.
Não sei se posso fingir desilusão.
Nem a falsa oprimida opção.
A defesa de quem não precisamos.
Onde estamos por quem nós lutamos.
De onde viemos e como estamos.
Será que um dia chegamos?
Rezemos!

domingo, 30 de novembro de 2025

Se fosse a minha questão.

Trema til... errei isso é acento.
Assim como o circunflexo.
Acho que estou um pouco lento. 
Pois isso é un tanto complexo.

Virgula, pra pausa rapida na oração.
Reclama, interroga e poe fim na ação.
Nem todo traço é vocativo inicial.
Aspas que enfatiza como ponto marcial.

Dois pontos que explica pra galera.
E a virgula vem com um ponto acima.
E assim se enumera.

De linha em linha se abre um caminho.
Parenteses pra escrever (na rima).
O que se entende sozinho.

(Inapirado em "Questão de pontuacao" JCMN)

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

pré-ocupação

Preocupação é a ansiedade de fazer algo. 
Se ocupar de algo antes do tempo. 
Pra depois viver de lamentos. 
Do fato de nao suportar os fardos.

Não conseguir ficar parado. 
Precisar de cada vez mais movimento. 
De não olhar pro tempo lento. 
Não aceitar o ócio, ficar entediado.

E sera um trabalho redobrado.
Com pitadas de dor e sofrimento. 
Embaladas por um baixo cozimento.
E a dor de se sentir isolado. 

Vai parecer que ficou ilhado.
Olhando pro céu, inventando argumentos. 
Decepcionado com o mundo se perdendo.
Sem conseguir ficar apaixonado.

Perdido como um gato no telhado.
Que vive fugindo do apartamento.
Diferente do cão parceiro.
Que aceita o carinho e fica lado a lado.

Fuja dessa de ficar angustiado.
Adie a decisão, espere o fechamento.
De tempo ao tempo do julgamento.
Crie Paz na mente prum coração amado!

domingo, 23 de novembro de 2025

Brincar de Amar

Lembranças de quando éramos crianças. 
Das brincadeiras de rua.
De ver a moça banhando-se nua.
De bagunçar com toda vizinhança.

Penso em todas as estripulias.
Da algazarra no terreno ao lado.
De ficar horas no asfalto.
De contar pequenas mentiras. 

E hoje a arte é no nosso quarto.
Se enrolando num branco lençol.
Se contorcendo como peixe (na rede ou) no anzol.
Deitados, de lado, de frente ou de quatro.

Fazendo o tempo correr e o peito disparar.
No movimento e no barulho do grito.
No suado do corpo e o abafado do gemido.
Tentando outra vez, brincar de Amar.


sábado, 22 de novembro de 2025

Separação

Inevitável (acontecer)
Insuportável (assim viver)
Indescritível (o que vejo acontecer)
Intransponível (essa barreira eu e voce)
Desisto (nem quero mais)
Minto (ter um dia de paz)
Preciso (me Amar mais)
Insisto (agora jaz)
Desperto (pra outra vida)
Incerto (como tentativa)
Percebo (aberta ferida)
Despeço (perdida)
Insulto (a minha existencia)
Empurro (minhandesistenxia)
Enxugo (com muita tristeza)
Expurgo (a minha aparência)
Estrago (o que ainda existia)
Trago (a fumaça líquida vazia)
Amargo (de barriga vazia)
Largo (minhas fantasias)
Saio (desse longo Amor)
Corto (como um espinho de flor)
Esmago (a magoa que for)
Apago (finjo nao sentir dor)

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Não me liga mais...

Você não liga pra mim.
Não estou falando de importância.
Mas de atenção.
Só faz quando é obrigação. 

E tudo bem assim.
Pra não gerar esperança.
Te livrei de qualquer missão.
E desisti de qualquer intenção. 

Por isso não espero.
E tambem não me esmero.
Fico quieto na minha.

Fico no famoso zero a zero.
Sozinho e onde quero.
Uma hora segue a vida.