quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Amor Próprio

Por medo de perder.
E nao ter controle da perda.
Acelero as decisões. 
Antecipo os fatos.
Crio argumentos.
E tento me desfazer em atos.

Me iludo com uma traição. 
Com falta de dedicação.
Finjo querer prioridade.
Ou então a primazia.
Invento crises por vaidade.
Talvez pra forçar a casa vazia.

Crio um desconforto virtual.
Busco soluções em um ritual.
Transformo força em fraqueza.
Faço de caminhos atalhos.
Trato com aspereza.
Saboto o foco e o trabalho.

Reclamo que não consigo.
Mas racionalmente eu sigo.
Me junto a informações distintas.
E foco em uma nova bolha.
Troco a paixão pela vida.
Deixo o vinho aberto, sem rolha.

E assim tento antecipar.
O que nunca quis acabar.
Busco o fim mais expresso.
Jogo pro ar, fico impróprio. 
Me limito ao meu recesso.
Perco todo o Amor Próprio. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Choradeira

Ainda que se navegue.
A vida não espera.
Ela segue.
E onde mais se esmera.
Você perde.
Você pena.
Você sede.
Pois a onda só tem quebra.
Perto da mente.

E se tudo virar neve.
Tudo que congela.
Arde e ferve.
Passa por uma névoa.
Outra intempérie.
Sem sal, sem som, sem vela.
O que se concede.
O que emperra.
Mesmo que me erre.

Passa som e sol.
Onde a curva faz o esse.
Troca o erre e só.
Por um tanto se despede.
Faz do sólido, pó.
Faz do um gosto leve.
Do amargo dá um nó.
No peito nu e breve.

O meu olho vê mais longe.
Vê de fronte e de rabeira.
Caça o troco, reza o monge.
Bate o pano, tece a freira.
Vai pro limbo mas sem sorte.
Um palpite de primeira.
Um caminho pro horizonte.
Outra doula estrangeira.

A caneta perde a tinta.
O papel te dá coceira.
Sobre um púlpito buzina.
A chamada meia-inteira.
O dinheiro da esquina.
Outra nota na carteira.
O vazio que não se ensina.
Uma dor mais verdadeira.
Onde Amar é nossa sina.
Nessa vida derradeira.

sábado, 17 de outubro de 2026

Decepcionado

Pode ser impressão.
Ou só uma sensação. 
Uma tristeza latente.
Um desespero constante.
Um tempero sem gosto.
Um dia que segue o outro.
Uma vida vazia.
Um corpo despia.
Um sol sem calor.
Uma compressa de dor.

Pode ser um tormento. 
Uma falta de contentamento. 
Um sofrimento em vão.
Uma caçada sem cão. 
Uma bala perdida.
Um banheiro sem pia.
Um telhado no chão.
Uma promessa de não.
Um coração sem pudor.
Uma história sem cor.

Pode ser mais um lamento.
Um cheiro de excremento. 
Um gosto amargo na boca.
Uma versão menos louca.
Um tirlintar no ouvido.
Um novo erro punido.
Uma tragédia na estrada.
Um parecer com amarras.
Um jardim sem ter flor.
Uma manhã sem Amor!