A vida não espera.
Ela segue.
E onde mais se esmera.
Você perde.
Você pena.
Você sede.
Pois a onda só tem quebra.
Perto da mente.
E se tudo virar neve.
Tudo que congela.
Arde e ferve.
Passa por uma névoa.
Outra intempérie.
Sem sal, sem som, sem vela.
O que se concede.
O que emperra.
Mesmo que me erre.
Passa som e sol.
Onde a curva faz o esse.
Troca o erre e só.
Por um tanto se despede.
Faz do sólido, pó.
Faz do um gosto leve.
Do amargo dá um nó.
No peito nu e breve.
O meu olho vê mais longe.
Vê de fronte e de rabeira.
Caça o troco, reza o monge.
Bate o pano, tece a freira.
Vai pro limbo mas sem sorte.
Um palpite de primeira.
Um caminho pro horizonte.
Outra doula estrangeira.
A caneta perde a tinta.
O papel te dá coceira.
Sobre um púlpito buzina.
A chamada meia-inteira.
O dinheiro da esquina.
Outra nota na carteira.
O vazio que não se ensina.
Uma dor mais verdadeira.
Onde Amar é nossa sina.
Nessa vida derradeira.